A gravidade atrai os corpos
Sábado, 4 de Junho de 2005
Secura
Não soube nunca como explicar a minha aversão ao vento.
Uso-o para flutuar no tempo e não percebo as palavras que me traz.
Há ocasiões em que há no vento alguma ternura mas não chega para me enredar.

Quando, noutra era em que o ar se movimentava com a secura dos profetas, eu quis, por razões que não ouso recordar, aproximar-me da fonte de todas as tempestades, foi-me dito, com a voz grossa que acompanha todas as certezas do mundo, que cada nova vibração dos sentidos deveria ser destruída à nascença como se faz com as pragas que rastejam e tentam entrar na nossa casa.
Iniciei então caminhos recheados de ódio e procurei que nada me retirasse do estreito espaço da indiferença.

Não foram decisões!
Não foram escolhas!
Não foram sequer destinos.

Agradava-me pensar que era o vento.
Solto sobre a cabeça, fazia-me sempre rodar para o lugar certo.
Empurrava-me, com toda a força que tinha, para o lado onde não estavam as surpresas nem os animais agrestes.
Era para aí que eu voava, perdida a vontade de lutar e de sentir.

Depois houve um tempo de esquecimento.
Mas ficou intacta a recusa do vento.

amm


publicado por prólogo às 15:08
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