A gravidade atrai os corpos
Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005
Nuclear
Era para haver um número grande de maneiras de dizer a verdade.
Todas elas seriam maneiras sublimes de interpretar o mundo e todas elas seriam práticas e eficazes.
Estavam destinadas, desde o início do mundo, a clarificar de vez a essência das coisas e a natureza dos sonhos.
Eram mesmo formas quase mágicas de financiar o fascínio que brota do inesperado e da transmutação.

O momento exacto em que se interromperam as ligações não ficou registado.
Há uma certa subtileza no tempo, ou nos horrores da sua continuidade, que derruba as proporções e lhes retira a lógica.
Aconteceu, diz-se nesses casos.
As forças aleatórias.
O acaso.
A contingência.

Não houve, portanto, a conclusão de nada.
Ficou, a partir daí, dessa data inacabada, a certeza de que tudo o que acaba, acaba da mesma maneira.
Do vago e do improvável ficou declarado que se chamaria ao termo interrupção e o resto ficaria a cargo da memória.

Agora que já passou outro tanto tempo sobre essa insondável ocorrência, preferimos dizer, com a sobriedade possível, que foi melhor assim.

Que faríamos nós da ausência se tivéssemos que presentear a morte com as consequências todas dos destinos que quisemos engendrar e se foram abrindo em multiplicidades infinitas?

amm


publicado por prólogo às 19:24
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