A gravidade atrai os corpos
Segunda-feira, 11 de Abril de 2005
Tempero
Farás com o amor o que quiseres. Não restam argumentos para nada em contrário.
Basta deixar o rio correr. Ver a água determinada na direcção correcta faz-me perceber-te.

Uma panela ao lume e os legumes cortados com pormenor lá para dentro.
Tudo bem cozido em lume forte. Sal e tempero. Depois tudo moído até à cor única da cenoura.
Provar. Reforçar o tempero. Ferver. O caldo primordial está pronto.

Daqui para a frente há que esperar que o acaso seja benevolente.
Aos saltos ou em contínuo, numa direcção ou noutra, com intenção ou sem ela, haverá sempre vésperas e dias seguintes.

E, se por acaso ao debruçares-te na cerca do teu quintal para veres cá em baixo a agitação plebeia, sentires um qualquer apelo de estranhos impulsos a quererem tirar-te do fértil vale, socorre-te de todas as leis do universo para que em caso algum cometas um erro.

No espaço que vai entre uma galáxia e outra cabem muitos campos de futebol.
Cabem circos e cabe também a largura imaginada de Deus.
É nesse vazio em crescimento que ao anoitecer, quando já estão gastas todas as intenções, repousam as fomes, os prazeres e as folhas secas do loureiro.

Mas ainda vamos a tempo de ficar à espera.

amm


publicado por prólogo às 15:31
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1 comentário:
De Anónimo a 8 de Agosto de 2005 às 16:47
Há um encanto, ao mesmo tempo incómodo, no sabermos que vivemos sempre na véspera. E permanecemos à espera. Mesmo no dia seguinte.Elipse
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(mailto:Elipse2@hotmail.com)


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